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27/10/2026

Imóvel comercial no patrimônio dos milionários: de 2,6% para 21% — o que diz o Wealth Report 2026

Imóvel comercial no patrimônio dos milionários: de 2,6% para 21% — o que diz o Wealth Report 2026
Por
Glenda Carvalhal
:
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Segundo o Wealth Report 2026 da Knight Frank, 21% do patrimônio investível dos investidores com mais de US$ 1 milhão estava aplicado diretamente em imóveis comerciais em 2023. Em 2007, ano da primeira edição do relatório, a fatia dos imóveis comerciais era de 2,6%[1].

Em resumo

  • O Wealth Report 2026, da Knight Frank, mostra que a participação dos imóveis comerciais na carteira dos investidores de alta renda subiu de 2,6% em 2007 para 21% em 2023.
  • Segundo a Knight Frank, o capital privado — gestoras de private equity e pessoas de alta renda — respondeu pela maior fatia dos negócios com imóveis comerciais nos últimos quatro anos.
  • Renda de aluguel, menor volatilidade que ações e proteção contra a inflação estão entre os motivos que a Knight Frank aponta para investir em imóveis comerciais.

O que mudou entre 2007 e 2023?

Quando a Knight Frank publicou a primeira edição do The Wealth Report, em 2007, os investidores de alta renda ouvidos pela consultoria concentravam o patrimônio imobiliário em residências, que somavam cerca de 30% de suas carteiras. Os imóveis comerciais representavam apenas 2,6%[1].

A edição de 2026, a vigésima do relatório, revisita uma previsão feita desde as primeiras edições: a de que o capital privado se tornaria uma força dominante no investimento em imóveis comerciais. Segundo a Knight Frank, o capital privado, que inclui gestoras de private equity e pessoas de alta renda, respondeu pela maior fatia dos negócios com imóveis comerciais nos últimos quatro anos[1].

O crescimento da população de alta renda ajuda a explicar a migração. Quando o Wealth Report estimou essas populações pela primeira vez, em 2008, havia 373 mil pessoas com mais de US$ 1 milhão na China continental e 3,1 milhões nos Estados Unidos. Hoje, só no grupo acima de US$ 30 milhões, são mais de 121 mil pessoas na China e pouco mais de 251 mil nos Estados Unidos[1].

O movimento ganhou força depois da crise financeira global. Segundo levantamento citado na edição de 2012 do Wealth Report, o capital privado investido em imóveis comerciais passou de pouco menos de US$ 42 bilhões em 2009 para quase US$ 71 bilhões em 2011[1].

Por que investir em imóveis comerciais atrai o investidor privado?

Nick Braybrook, Head of Global Capital Markets da Knight Frank, lista no relatório cinco motivos que fazem os imóveis comerciais ganharem espaço nas carteiras privadas[1]:

  • Renda de longo prazo: o aluguel gera um fluxo de retorno contínuo. Veja como funciona a tese de Renda Imobiliária US da inVista.
  • Possibilidade de melhoria: o imóvel pode ser reformado e reposicionado para gerar mais valor.
  • Algum grau de liquidez, quando o ativo é bem comprado.
  • Menor volatilidade que a das ações.
  • Proteção contra a inflação: os aluguéis podem subir, enquanto os juros de um título prefixado ficam fixos.

O perfil de quem investe em imóveis comerciais também mudou. Segundo Alasdair Pritchard, sócio do Private Office da Knight Frank, investimentos que antes eram decisões pontuais, movidas por interesse pessoal, passaram a seguir uma estratégia, com mais famílias usando estruturas próprias de gestão e contratando profissionais de grandes gestoras e consultorias[1].

Que vantagem o investidor privado tem sobre o institucional?

Segundo Nick Braybrook, da Knight Frank, o investidor privado decide mais rápido, tem acesso a fontes de capital mais diversas e tolera mais risco que o investidor institucional. Na leitura da consultoria, essas características colocam o investidor privado em melhor posição para aproveitar os ciclos do mercado imobiliário global[1].

O mercado de escritórios de Londres é um exemplo citado pelo relatório. Quando os juros subiram com força, depois das taxas muito baixas que vigoraram entre 2009 e 2022, compradores institucionais, fundos soberanos e gestoras de private equity reduziram a presença em Londres, enquanto pessoas físicas e family offices seguiram ativos[1].

Quais riscos os números não mostram?

  • O dado de 21% é de 2023. Ele vem da Attitudes Survey 2023 da Knight Frank, citada no Wealth Report 2026, e descreve investidores com mais de US$ 1 milhão no mundo, não no Brasil.
  • As bases de comparação não são idênticas. Os 2,6% de 2007 se referem ao portfólio total de ativos dos investidores; os 21% de 2023, ao patrimônio investível. O próprio relatório compara os dois números, que indicam uma direção, não uma medida exata.
  • Imóvel comercial direto exige gestão. Manutenção, vacância e renovação de contratos fazem parte do retorno, e a liquidez é menor que a de ativos negociados em bolsa.
  • Concentração pesa. Um único imóvel concentra o risco em um inquilino, uma cidade e um setor. Fundos imobiliários são uma das formas de diluir esse risco — veja, por exemplo, o IBBP11.
  • O histórico de Londres não se repete automaticamente em outros mercados ou períodos.

Perguntas frequentes

O que é o Wealth Report?

O Wealth Report é um relatório anual da consultoria imobiliária Knight Frank sobre a riqueza global e o comportamento de investimento das pessoas de alta renda. A primeira edição saiu em 2007, e a edição de 2026 é a vigésima[1].

Quanto os milionários investem em imóveis comerciais?

Segundo a Attitudes Survey 2023 da Knight Frank, citada no Wealth Report 2026, 21% do patrimônio investível das pessoas com mais de US$ 1 milhão estava aplicado diretamente em imóveis comerciais. Em 2007, essa participação era de 2,6%[1].

Imóvel comercial protege contra a inflação?

Pode proteger em parte. Contratos de aluguel costumam ter reajuste periódico — no Brasil, em geral pelo IPCA ou pelo IGP-M —, enquanto um título prefixado paga juros fixos. A proteção depende de o imóvel seguir ocupado e de o reajuste ser de fato aplicado.

Como investir em imóveis comerciais no Brasil?

Há três caminhos principais: comprar o imóvel diretamente, investir em fundos imobiliários (FIIs) negociados na bolsa ou participar de veículos privados de investimento imobiliário. Cada caminho tem custos, liquidez e riscos diferentes, e a escolha depende do perfil e dos objetivos de cada investidor.

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Quer entender como o imóvel comercial pode compor um patrimônio de longo prazo? Fale com a equipe da inVista. Veja também outros artigos na seção Artigos e Insights.

Nota importante

Este é um conteúdo educacional. Não constitui oferta, recomendação individual de investimento, nem projeção ou promessa de desempenho. Rentabilidade obtida no passado não garante rentabilidade futura. Dados citados referem-se ao período reportado pelas fontes e podem mudar.

Fontes

[1] Knight Frank, The Wealth Report 2026, 20ª edição (2026; definições na página 2; capítulo Private capital, páginas 52 e 53, com dados da Attitudes Survey de 2023): https://www.knightfrank.com/research/reports/wealthreport

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